quinta-feira, 13 de março de 2008

A Lenda de Mesulina - Luxemburgo



Mesulina foi, segundo a lenda, a mulher do conde Siegfried, o fundador do Luxemburgo.
Quando casaram Muselina fez uma única exigência a Siegfried: uma vez por mês queria ficar sózinha e não queria que ninguém, especialmente Siegfried, a seguisse, tentasse saber o que ela fazia ou fizesse quaiquer perguntas sobre o assunto.
Apaixonado Siegfried aceitou o pedido sem levantar quaisquer problemas.
Assim, durante anos Mesulina na primeira quarta-feira de cada mês descia às casamatas, um labirinto de cavernas debaixo da cidade, e só reaparecia ao raiar da aurora de quinta-feira.
Tudo correu bem durante muito tempo até que a curiosidade de Siegfried venceu as suas boas intenções de não quebrar a promessa.
Seguiu-a, viu-a entrar num quarto e espreitou pelo buraco da fechadura. Ficou pasmado quando viu a sua linda mulher deitada toda nua numa grande banheira com a parte de baixo da cintura transformada numa cauda de peixe.
É sabido que as sereias têm um sexto sentido para pressentirem se são observadas, claro que ela viu que o marido a estava a espreitar pelo buraco da fechadura. Imediatamente saltou pela janela para o rio Alzette para nunca mais ser vista.
De vez em quando, nas calmas águas do rio, alguém diz ver uma cabeça de uma mulher lindíssima a sair das águas do rio e uma cauda de peixe fazendo ondular levemente as águas.
É esta a lenda de Mesulina, a linda mulher de Siegried.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Lenda de Timor



Conta a lenda que há muito muito tempo, um crocodilo já muito velhinho vivia numa ilha da Indonésia chamada Celebes.
Como era muito velho, este crocodilo já não tinha forças para apanhar peixes, por isso estava quase a morrer de fome.
Certo dia, resolveu entrar terra adentro à procura de algum animal que lhe servisse de alimento. Andou, andou, andou, mas não conseguiu encontrar nada para comer.
Como andou muito e não comeu nada, ficou sem forças para regressar à água.
Um rapaz ia a passar e encontrou o crocodilo exausto. Teve pena dele e ofereceu-se para o ajudar a voltar. Então, pegou-lhe pela cauda e arrastou-o de volta à água.
O crocodilo ficou-lhe muito agradecido e, em paga, disse ao rapaz que fosse ter com ele sempre que quisesse ir passear pelas águas do rio ou do mar.
O rapaz aceitou a oferta e, a partir daquele dia, muitas foram as viagens que os dois amigos fizeram juntos.
A amizade entre os dois era cada vez maior, mas, um dia, a fome foi mais forte e o crocodilo pensou que comer o rapaz era a melhor solução.
Antes de tomar esta decisão, perguntou aos outros animais o que achavam da ideia. Todos lhe disseram que era muito ingrato da parte dele querer comer o rapaz que o tinha salvo.
O crocodilo percebeu que estava a ser muito injusto e ficou com muitos remorsos. Então, resolveu partir para longe, para esconder a vergonha.
Como o rapaz era o seu único amigo, pediu-lhe que fosse com ele. O rapaz saltou para o dorso do crocodilo e deixou-se guiar pelo mar fora.
A viagem já ia longa quando o crocodilo começou a sentir-se cansado. Já exausto, resolveu parar para descansar, mas, naquele momento, o seu corpo começou a crescer e a transformar-se em pedra e terra.
Cresceu tanto que ficou do tamanho de uma ilha. O rapaz, que viajava no seu dorso, passou a ser o primeiro habitante daquela ilha em forma de crocodilo.
E assim nasceu a ilha de Timor.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Lenda de Camelot - Inglaterra






Segundo as lendas, Camelot era o lugar onde ficava a corte do rei Arthur. Foi lá que, supostamente, Arthur decidiu construir o seu castelo com um grande salão, decorado com estandartes, onde pudesse colocar uma enorme mesa, construída por um misterioso carpinteiro mago, conhecida nas lendas como a távola redonda. Nessa mesa cabiam, sentados, 1.600 cavaleiros. Por ser redonda, impedia que houvesse lutas entre os nobres para ver quem sentava no melhor lugar. Até hoje não se sabe onde ficava Camelot, se é que realmente existiu. Alguns pesquisadores apontam a Cornualha, outros Somerset, outros ainda Monmouthshire. Em Somerset foram descobertos vestígios de uma fortificação, possivelmente do século VI, com enormes anéis concêntricos, cobrindo mais de 7 hectares, que contornavam um castelo, porém, nunca se conseguiu provar que fosse de facto Camelot.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Lenda da Vitória Régia - Brasil




Há muitos anos, entre os habitantes de uma tribo canibal brasileira, que comia gente, contava-se que a Lua era um Deus que namorava as mais belas virgens índias da aldeia. Sempre que ele se escondia atrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência. Uma linda jovem virgem da tribo, a guerreira Naiá, vivia a sonhar com este encontro e mal podia esperar pelo grande dia que a Lua a chamasse. Os anciãos da tribo alertavam Naiá: depois do seu encontro com a sedutora Lua, as moças perdiam o seu sangue e a sua carne, tornando-se luz - transformavam-se nas estrelas do céu.
Mas quem a impediria? Naiá queria ser levada pela Lua. À noite, cavalgava pelas montanhas atrás dela, sem nunca alcançá-la. Todas as noites eram assim, e a jovem índia definhava, sonhando com o encontro sem desistir. Não comia e nem bebia nada.
Um dia, tendo parado para descansar à beira de um lago, viu na sua superfície a imagem do deus amado: a Lua reflectida nas suas águas. Cega de paixão, lançou-se ao fundo e afogou-se. A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem india , e resolveu transformá-la numa estrela diferente, diferente de todas aquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", única e perfeita, que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma linda planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Santiago de Compostela - Espanha




Segundo uma tradição muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Tiago, Santiago como chamam os espanhois a Jacob, o filho de Zebedeu e irmão de João o Evangelista, foi pregar as "boas novas" em regiões longínquas, passando algum tempo na Galícia, extremo oeste da Espanha, que os romanos chamaram "Finis Terrae", por ser o extremo mais ocidental do mundo até então conhecido.
Ao retornar à Palestina, no ano 44, foi torturado e decapitado por Herodes Agripa, e o seu corpo atirado para fora das muralhas de Jerusalém.
Dois de seus discípulos, Teodoro e Anastácio, recolheram os seus restos e os levaram de volta ao ocidente de navio, aportando na antiga cidade de Iria Flávia, a capital da Galícia Romana na costa oeste espanhola, sepultando-o secretamente num bosque chamado Liberum Donum.
O lugar foi esquecido até que oito séculos depois, um ermitão chamado Pelayo começou a observar um estranho fenomeno que ocorria neste mesmo lugar; uma verdadeira chuva de estrelas caía todas as noites sobre um ponto do bosque, emanando uma luminosidade intensa.
Com base no acontecido, chamou-se o lugar de Campus Stellae, ou Campo de Estrelas de onde derivaria o actual nome de Compostela.
Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do santo.
A notícia espalhou-se e pessoas começaram a deslocar-se – primeiro dos estados cristãos do norte peninsular, depois de toda a Europa – a fim de conhecer o sepulcro, originando assim, o Caminho de Santiago de Compostela.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lenda do Milagre das Rosas - Portugal



Esta é uma das mais conhecidas lendas portuguesas que enaltece a bondade da rainha D. Isabel para com todos os seus súbditos, a quem levava esmolas e palavras de consolo. Conta a história que um nobre despeitado informou o rei D. Dinis que a rainha gastava demais nas obras das igrejas, doações a conventos, esmolas e outras acções de caridade e convenceu-o a por fim a estes excessos. O rei decidiu surpreender a rainha numa manhã em que esta se dirigia com o seu séquito às obras de Santa Clara e à distribuição habitual, há quem diga pão há quem diga dinheiro, e reparou que ela procurava disfarçar o que levava no regaço. Interrogada por D. Dinis, a rainha informou que ia ornamentar os altares do mosteiro ao que o rei insistiu que tinha sido informado que a rainha tinha desobedecido às suas proibições, levando dinheiro/pão aos pobres. De repente e mais confiante D. Isabel respondeu: "Enganais-vos, Real Senhor. O que levo no meu regaço são rosas..." O rei irritado acusou-a de estar a mentir: como poderia ela ter rosas em Janeiro? Obrigou-a, então, a revelar o conteúdo do regaço. A rainha Isabel mostrou perante os olhos espantados de todos o belíssimo ramo de rosas que guardava sob o manto. O rei ficou sem palavras, convencido que estava perante um fenómeno sobrenatural e acabou por pedir perdão à rainha que prosseguiu na sua intenção de ir levar as esmolas/pão.
A notícia do milagre correu a cidade de Coimbra e o povo proclamou santa a rainha Isabel de Portugal.